Wednesday, October 21, 2026

História da música electrónica em Portugal

https://comunidadeculturaearte.com/uma-pequena-historia-da-musica-electronica-de-danca-em-portugal-parte-ii/


Uma pequena história da música electrónica de dança em Portugal (parte II)

por Gabriel de Oliveira Feitor,    8 Junho, 2021

Artigo complet aqui:

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A partir de 1993, o som de Vibe alterou-se profundamente. Nos seus sets, é notória a transição das cenas techno e trancey para um house nova-iorquino mais garage e, particularmente, tribal, Manhattan style. Discos de editoras como a Nervous, Strictly Rhythm, Emotive, Eightball, Murk ou Tribal America começaram a rodar nos pratos do Kremlin e das festas onde Tó Pereira actuava, iniciando-se, assim, por muitos anos, uma tendência importante na música de dança portuguesa. Tó é o próprio a afirmar prontamente quando a entrevistadora da Red Bull lhe pergunta qual é o elemento crucial no som português: drums![43] De facto, a ligação de Vibe aos Estados Unidos é fundamental para se compreender como é que o house tribal americano se enraizou ao invés de outros estilos, como o techno da Europa central, contudo, não se deve descurar outras hipóteses, como o passado colonial português e as suas influências, dinâmicas e intercâmbios socioculturais na aceitação daquelas sonoridades, uma questão certamente a tratar noutra abordagem.

Seja como for, muito do que está nas faixas Get Up e Dance With Me dos Underground Sound Of Lisbon (USL) é resultado da noite de Tó Pereira no Sound Factory. O “espírito” da cena de Manhattan está inscrito no disco e não foi por acaso que Junior Vasquez colocou Get Up em sétimo lugar num top ten dos temas indispensáveis nos seus sets naquela discoteca, publicado pela revista iD, em 1994. Quando Tó Pereira regressou, já com mais disponibilidade após a saída dos LX-90, decidiu aceitar o desafio que Rui da Silva lhe vinha fazendo há meses para fazerem música. Ambos tinham nessa altura, em meados de 1993, discos a sair. Em Abril, foram editados os remixes (“Tó Club Mix”, “Dance Mix” e “Diz Pára Mix”) de Tó Pereira para Diz Quem Diz, dos Rádio Macau[44], e Rui da Silva, sob o pseudónimo Doctor J, estreou o catálogo da Kaos, em Agosto – a promo já circulava no ano anterior –, com o disco Não, um cruzamento experimental de house com samples do tema Não Sou o Único (1991), dos Resistência[45], o qual Tim, vocalista da banda, detestou.[46]

A dupla foi para o estúdio de Rui da Silva, na casa dos seus pais, em Queijas, e da maratona com um Atari Commodore, as TB, os sintetizadores e um sampler Akai S1000, de Tó, resultou os dois temas que compõem o segundo disco da Kaos, Chapter One: Dance With Me e Get Up. Nasce, assim, a dupla USL. A mistura das faixas foi feita no estúdio dos Delfins, Um Só Céu Studios, por Sinewave (Paula Margarida), então namorada de Rui da Silva e engenheira de som. Esse trabalho durou, segundo Rui da Silva, vinte e tal horas devido a um bug no software de produção (Cubase) relacionado com a sincronização quando se gravava em fita. Não é por acaso que em Get Up a secção rítmica, elaborada numa TR-808, entra por fade in.[47]

A letra e voz de Get Up é da autoria do californiano Ithaka Darin Pappas, identificado no disco como Korvorowng, que na altura se encontrava a viver em Lisboa e escrevia e vocalizava alguns poemas no programa “Quarto Bairro”, da Rádio Comercial. Tó Pereira passava música nesse programa e foi aí que travou conhecimento com Ithaka, convidando-o para fazer de MC nas festas da Kaos. Numa das festas em que Ithaka actuou, o seu improviso vocal no momento em que Tó tocara a versão instrumental da faixa que se viria a intitular Get Up – no DAT, o nome inicial, certamente provisório, era 303, devido ao baixo – convenceu, desde logo, os USL de que era aquilo que precisavam para fechar o disco. Ithaka entregou vários poemas a Rui da Silva, e Get Up, devido à sua abordagem “apocalíptica” – estava próximo o “derradeiro” ano 2000! –  foi o escolhido. Voltaram aos estúdios dos Delfins, desta vez para adaptar a letra e gravar a voz de Ithaka na faixa, no entanto, em Dezembro de 1992 o poema já havia sido gravado numa emissão do “Quarto Bairro” e tivera, em Março seguinte, uma versão electrónica feita por um estudante de engenharia de som de Manchester.[48]

Curiosamente, Get Up foi prensada no lado B – quando o disco saiu em Portugal apenas Luís Leite a tocava no Alcântara – enquanto Dance With Me granjeou o lado principal. Quanto a esta, uma faixa de crescendo hipnótico e bem demonstrativa da transição musical que se operava na cena electrónica portuguesa, entre as influências europeias e norte-americanas, tem a particularidade de juntar samples vocais tão distintos, desde Grace Jones (Slave To The Rhythm), passando por Age Of Love (The Age Of Love), até Moby (Go). Em suma, Chapter One fez pontuação dobrada: um excelente disco de prenuncio para a internacionalização. E, de facto, foi-o.

Antes de o disco sair, Tó Pereira enviou uma promo a um dos amigos que conheceu em Nova Iorque, um português que costumava passar música numas festas de emigrantes lusos. Numa noite, o português decidiu ir ao Sound Factory e entregou o disco a Junior Vasquez, o tal white label, identificado no sticker apenas com os contactos e o nome dos autores. Quando Paulo se dirigiu ao bengaleiro, Junior parou a música repentinamente e colocou a tocar Get Up. Foi a loucura espontânea do público quando se ouviram os primeiros versos do poema, tanto que Junior tocou a música um punhado de vezes na mesma noite: “The end of the earth is upon us/ Pretty soon it’ll all turn to dust/ So get up/ Forget the past/ Go outside and have a blast”.

A vantagem de ter o disco quase um ano sem que ninguém em Nova Iorque soubesse do que se tratava deu a Júnior a honrosa tarefa de criar o buzz à volta da faixa. Quando o disco saiu em Portugal, Tó Pereira, que, entretanto, mudara o nickname para DJ Vibe (graças a Ricky Morrison, que lhe havia dito no Kremlin: “you got the vibe man!”), enviou mais umas cópias ao amigo, o qual deu um exemplar ao DJ Casanova, residente da discoteca Palladium. A partir daqui, existem versões diferentes sobre o que aconteceu. Segundo Tó Pereira, assim que Junior soube que a sua secret weapon, afinal, já não era assim tão secreta, o DJ do Sound Factory fez chegar o contacto dos USL aos A&R de duas editoras nova-iorquinas, a Rob Di Stefano, da Tribal América, e a Kevin Williams, da Eightball Records, mas conforme as versões de Rui da Silva e Rob Di Stefano, para o primeiro, foi Junior quem pediu os contactos dos USL ao amigo emigrante de Tó Pereira e os deu aos A&R, e para o segundo, o contacto que Junior tinha era o do amigo, que posteriormente os fez chegar à dupla. No entanto, estas duas últimas versões coincidem no momento seguinte: os telefonemas foram atendidos por Rui da Silva na Bimotor, que por essa altura, em Abril de 1994, estava fora a organizar uma festa da Kaos, muito provavelmente a “Epicentro 94”, na Estação da Luz.[49]

Os USL receberam propostas das duas editoras, via fax, para a Kaos licenciar o disco. A escolha recaiu na Tribal América, cujo catálogo já gozava de considerável aceitação no circuito de DJs portugueses. Era, como Zé Pedro Moura afirma, malha atrás de malha: X e Get Your Hands Off My Man, de Junior Vasquez; Reach For Me, dos Funky Green Dogs; If You Really Love Someone, dos Liberty City; In The Presence Of Angels, dos Spiritual Experience; Y, dos Kiwi Dreams; High Frequency, dos Deep Dish; Are You Satisfied, dos Daou; entre outros. O som português encontrara um lugar para se lançar planetariamente pela mão dos embaixadores USL, mas, apesar de a proximidade do anunciado “fim do Mundo” em 2000, os DJs e produtores portugueses ainda tinham muito para fazer.




“A Paradise called Portugal”

Os USL fecharam o contracto com a Tribal na primavera de 1994. Uma das exigências impostas pela dupla portuguesa a Rob Di Stefano foi um remix de Junior Vasquez para a faixa Get Up, redenominada nessa edição So Get Up. Rob tentou demover os USL dessa ideia devido ao custo monetário, mas acabou por aceitar com a condição de um artista seu fazer uma remistura para o tema. O DJ e produtor que Rob se referia era o ainda desconhecido dos portugueses Danny Tenaglia. O lançamento foi agendado para o verão daquele ano numa edição duplo LP 12”, com os originais So Get Up e Dance With Me, a acapella, dois remixes de Vasquez (“Junior’s Factory Mix” e “Factory Dub”) e três remisturas de Tenaglia (“Danny’s “In The Light We Sleep” Mix”, “Get-Upella” e The “It’s 4 P.M. Danny, Get Up!” Dub”) de So Get Up.

Em Agosto, Rob e Danny fizeram uma tour de duas semanas pelo Reino Unido para promover um disco da editora. Aproveitando esse facto, Rui da Silva convidou-os a virem a Portugal para a grande festa que a Kaos estava a organizar para esse mês, no castelo de Santa Maria da Feira, a Feira Virtual. A equipa da Tribal estava muito cansada da digressão e com pouca vontade de continuar o périplo, mas acabou por vir a Portugal fazer mais uma data integrada na tour: “chegámos a Portugal, saímos do avião, pus os pés em Portugal e senti uma ligação automaticamente. Não queria acreditar. Tinha 27 anos e nunca tinha estado num país de língua estrangeira mas apaixonei-me assim que saí do avião”, afirma Rob Di Stefano.[50] A festa contou com os cabeças de cartaz Rob Di Stefano, Danny Tenaglia e Richard Breeden (manager da subsidiária Tribal United Kingdom) – que antes tocaram no Kremlin – e ainda o autor de Plastic Dreams, Jaydee, e o MC Man Parrish, a que se juntaram os portugueses Vibe, Doctor J, Luís Leite, Tó Ricciardi, Rui Vargas, Ruizinho, Belita e o live act da banda The Ozone.

Parece que Portugal havia encontrado o seu lugar no mundo. Os americanos e ingleses estavam fascinados com o país e tudo o que este tinha para oferecer (as praias, o sol, a gastronomia) combinado com o empolgante ambiente da emergente dance scene: as autoridades colaboravam na organização das festas, vendiam-se bebidas alcoólicas nas áreas de serviço das auto-estradas, era permitido beber a noite inteira e fumar em quase todos os locais, as drogas eram praticamente livres, enfim, o inverso daquilo que acontecia no Reino Unido. Gostaram tanto que Rob voltou, em Dezembro de 1994, para umas férias, em Fevereiro seguinte para uma festa de carnaval no Kremlin, com DJ Pierre, Richard Breeden e a cantora Joi Cardwell, e em Maio, para a Queima das Fitas em Coimbra, com Angel Moraes, Kiwi Dreams e MC Darrell Martin.[51] A curiosidade levou a equipa da novel revista Muzik, coordenada pelo jornalista britânico Ben Turner, a passar uns dias em Lisboa.  Foram ao Frágil, ao Kremlin, ao Alcântara-Mar e ao Climacz. A reacção foi tão positiva que mereceu a publicação de um artigo/guia no primeiro número que incentivava os jovens ingleses a passarem as duas semanas de férias de verão na “nova Ibiza”. Onde quer que se ia, o house sensual ao estilo de Penetrate Deeper dos Deep Dish girava nos pratos dos DJs. As lojas de discos, como a Discomundo, estavam repletas de importações norte-americanas e o merchandise – t-shirts e dog tags de editoras, como a Emotive, a Eightball ou a Tribal – era uma moda entre os assíduos da noite. A complementar o artigo foi elaborado um rol de informações sobre os restaurantes, bares, discotecas, DJs, lojas de discos, programas de rádio e até um preçário de drogas: ecstasy £20 na discoteca e £15 no bar; cocaína £40 por grama ou £30 se se tivesse algum connect; haxixe £4 por grama. Lisboa era, oficialmente, a “Tribal city” para onde Rob dizia constantemente que queria mudar de armas e bagagens. “A paradise called Portugal”, foi assim que Ben Turner concluiu para descrever o ambiente de então.[52]


Toda a dinâmica descrita pela Muzik não foi obra apenas da Kaos ou de DJ Vibe. Desde 1993, e isso ficou claro nos dois anos seguintes, que começou a surgir uma proto-indústria ligada à música de dança electrónica. Além dos espaços de divertimento nocturno, começaram a aparecer mais lojas de discos especializadas (a World Music, em Braga e no Porto; e a Question Of Time e a Discomundo, em Lisboa), produtoras de eventos (a Universal Produções, de Paulo Nery, em 1993, e o X-Club, em 1995), editoras (a Warning Inc., subsidiária da Simbiose, em 1993; a World Music Records, da mesma propriedade da loja de discos, também em 1993; a Question Of Time, igualmente da propriedade da loja, em 1995), produtores e DJs (The Ozone, OLN, Kult Of Krameria, Urban Dreams, A. Paul, Model 9000), discotecas (Kadoc, no Algarve; Pacha, em Ofir; Rocks, em Gaia; Enseada, na Póvoa de Varzim; ou o Vaticano, em Barcelos), espaços de conceito after hours (Radical Foz, no Porto; Climacz, em 1994, no Jardim Constantino; as festas do Teatro A Lanterna Mágica, organizadas pelo X-Club; e a discoteca Alcatraz, em Cantanhede, gerida, no início, pela Kaos, em 1997), programas de rádio (Dance Floor, com DJ Vibe, na Antena 3, a partir de 1994) e até imprensa especializada (Dance Club, da responsabilidade de Nuno Rodrigues, primeiro, em fanzine distribuída nas lojas, em 1994; depois, revista a cores, em 1996). É possível, aliás, mapear, entre 1993 e 1996, as dinâmicas que estão subjacentes já a grupos e sonoridades que se distinguem e estabelecem, inicialmente, uma competição saudável entre si. A Kaos, muito ligada ao som americano, com DJ Vibe, Doctor J, António Cunha ou Luís Leite, mas não só, tendo, no seu naipe de produção e festas, pessoas ligadas a sonoridades mais trance, como a banda The Ozone ou o produtor leiriense Urban Dreams AKA DJ Alex S; a Question Of Time, de João Daniel, com discos deste, de A. Paul e Model 9000, de influências europeias, mais techno e trancey, com ligações à editora inglesa Bush, cujo som se podia ouvir nos after hours do Climacz, bem underground, diga-se; e o X-Club, produtora de festas techno, com os DJs Mário Roque (mais tarde X-Man), Óscar Baía, Michael Ângelo e outros DJs que tocavam em festas das restantes produtoras, como Luís Leite, Jiggy, Luís XL Garcia ou A. Paul. 

Climacz, Jardim Constantino, Lisboa, 1994. DR.

É indiscutível, porém, o papel de So Get Up e a sua projecção lá fora, que ajudou definitivamente ao burburinho criado à volta de Portugal. A edição da Kaos alcançou o 1.º lugar da chart americana do DMC (Update USA Chart), um novo recorde nacional em vésperas da edição americana e inglesa da Tribal. E, em Inglaterra, alcançou o 5º lugar da Coldcut Chart, o 4.º lugar do DMC Update UK e os lugares 90.º e 83.º, respectivamente nas semanas de 10 e 17 de Setembro de 1994, do top 100 da chart oficial do Reino Unido.[53]

O passo seguinte seria o da internacionalização nas cabines, o que aconteceu em Março de 1995. A Tribal América, por ocasião da Winter Music Conference, organizou uma tour pelos EUA, com uma representação portuguesa composta por DJ Vibe e a sua mulher, Rui da Silva e a sua namorada, Sinewave, e dois elementos do grupo The Ozone. Voaram de Lisboa para Nova Iorque e aí alugaram um minibus para iniciar a digressão. Foram a Washington, onde os USL fizeram um disco com os Deep Dish, até hoje inédito, e seguiram para uma rave em Carolina do Norte, nowhere. Regressaram a Nova Iorque e, daí, voaram para Orlando, de onde partiram para Miami.[54] Mas os esforços de internacionalização não se ficaram por este episódio. Ainda no verão daquele ano, DJ Vibe tocou na Love Parade, em Berlim, e em 1996, na festa de lançamento de Get Fired Up, dos Funky Green Dogs, alcançara, finalmente, a cabine do Sound Factory.

Naqueles anos de 1994-96, o entusiasmo e as expectativas foram as mais altas. Isso é bem visível e audível nos quatro CD’s que DJ Vibe misturou: Total Kaos, de edição conjunta Kaos/Tribal, em 1995; Tottaly Mix, gravado no Kremlin e editado pela Kaos, posteriormente licenciado para a Tribal America e UK, também em 1995; This Is Tribal, um CD duplo de tributo a Rob Di Stefano aquando o anunciado fim da editora, com dois sets dedicados exclusivamente ao catálogo Tribal; e Magic Sessions, em 1997, com a chancela da Kaos, um rol de house entre o garage e o tribal norte-americano. A relação entre Portugal e a Tribal foi tão forte que Rob fundou uma subsidiária apenas destinada ao som português, a Tribal Portugal, em 1995, de existência efémera e com um catálogo de apenas três discos, todos eles editados primeiramente pela Kaos e licenciados à Tribal: Unreleased Project, de DJ Vibe; Don’t Wait For Me, de Tó Ricciardi; e Oporto Deep Cuts, dos OLN.

Outros produtores portugueses também começaram a ver o seu trabalho reconhecido lá fora. É o caso de João Daniel, que conseguira licenciar os primeiros discos da sua Question Of Time. O primeiro, em 1995, foi um máxi com as faixas The Way, da sua autoria, e Juice, de A. Paul, à conhecida editora italiana UMM – Underground Music Movement, à belga Yeti e à inglesa Bush – esta apenas com o seu tema; o segundo, … To Eden, em 1996, saiu pela editora alemã Urban com um remix de DJ Quicksilver e que alcançara o 1.º lugar duma chart espanhola.

https://www.youtube.com/watch?v=nsMRGfsQIL8



"The Portuguese Years" of artist Ithaka Darin Pappas (1992-1998)



Ithaka Darin Pappas is a Greek-American multidisciplinary artist born in Californian. His early years in Los Angeles included photographic work for the film and music industry of subjects including; Giancarlo Esposito, NWA, early sculpture exhibits of his thirty year project The Reincarnation of a Surfboard, early writing such as the short story Stellafly and minor minor acting jobs (including Levi's commercial with world renowned director David Fincher). Between 1990-1991, Ithaka Darin Pappas spent large amounts of time in both Athens and Tokyo, but a lengthier relocation to Lisbon, Portugal in July of 1992 (until September 1998) proved to be a catalyst for his creativity.


In Portugal, Ithaka Darin Pappas immediately began involving himself in photography and sculpture exhibits and continued with his poetry and short story writing. An on-air interview on Lisbon station Rádio Comercial regarding his audio-visual exhibit "As Aventuras do KorvoRão" led to a regular guest spot on the program Quatro Bairro (4º Bairro) at the invite of show producer Eduardo Guerra, who described Ithaka as having a, Valium Voice. Except for being the voice of a Texaco oil commercial in 1989, Ithaka had almost no previous experience on the microphone.

Friday, August 28, 2026

“So Get Up” misidentified credits

 Over time, the online biographies, interviews, and promotional materials of DJ Vibe and Rui da Silva have consistently presented "So Get Up" as solely their own work. They have often regarded Ithaka’s well-known vocal poem as a mere sampled component instead of acknowledging it as a fundamental collaborative effort. Throughout the years, DJ Vibe and Rui da Silva's online artist bios, interviews, and promotional descriptions have repeatedly depicted "So Get Up" as entirely their own creation. They have frequently considered Ithaka’s distinctive vocal poem as a generic, sampled aspect rather than recognizing it as a significant collaborative performance. In the course of time, the online profiles, interviews, and promotional summaries associated with DJ Vibe and Rui da Silva have often framed "So Get Up" as a work that belongs solely to them. They have tended to view Ithaka’s recognizable vocal poem as a standard sampled element rather than an essential part of a collaborative performance. #sogetup

Sunday, August 9, 2026

Glasgow DJ, Kevin McKay, talks Danny Tenaglia's celebrated remix of "So Get Up" by Underground Sound of Lisbon ft. Ithaka












Glasgow DJ Kevin McKay talks Danny Tenaglia's celebrated remix of "So Get Up" by Underground Sound of Lisbon ft. Ithaka


WATCH HERE: https://fb.watch/IUoHmR1wK0/


“I never forget the first time I heard this record. Back in 1994 when Danny Tenaglia was playing in Glasgow for the first time. He was playing Harry & Oscar’s Sunday Night at the Voodoo Room. Every DJ in the town was there and this is the one they were all talking about the week after. This was New York house but not as we new it. Glasgow was always big on heavy records. So when Danny Tenaglia and Junior Vasquez started taking that Bew York sound and wrapping it up with acid noises and razor sharp synths. Glasgow was all over it. And the minute the voice* comes out of this record, “the end of the earth is upon us” everyone on the dance floor was like, what the fuck is this? And the beats and the groove and the analog that followed the whole place went absolutely crazy. I remember trying to track it down the next week. It wasn’t out yet. And when the promo finally arrived in my door. I was like, “Oh yes, I cannot wait to play this”. But the the trouble with that vocal is because it’s so iconic, it became overplayed. So I only got to play it a few times. I dug it out again recently to see whether it would still work. And boy does it still work. This is the Underground Sound of Lisbon (ft. Ithaka) with “So Get Up”, Danny Tenaglia’s “In The Light We Sleep Mix” on Tribal 1994. Check it out”
So get up, forget the past
Go outside and have a blast
Lyrics & vocals: Ithaka Darin Pappas
© 1992 Ravenshark Music/ASCAP/North Music Group


The rarely credited vocals of the iconic song "So Get Up'" were written and vocalized by Greek-Californian Ithaka Darin Pappas (known more frequently by his mononym Ithaka).

Friday, August 7, 2026

Stephane K / IVibes interview excerpt: What is your favourite track ever?


April 3rd, 2002 IVIBES4


So Get Up (Original + Junior Vasquez Mixes), Primary, 1 of 5

IVIBES: What is your favourite track ever?


Stephane K: "USL ft. Ithaka "So Get Up"


http://www.ivibes.org/index.php?article=682

Friday, June 19, 2026

DarkHalf "End Of The Earth" ft. Ithaka (Beat Addiction Recordings)

 


DarkHalf "End Of The Earth" ft. Ithaka (Beat Addiction Recordings)
https://www.discogs.com/release/1492906-Darkhalf-Yiyo-End-Of-The-Earth-Batty

"End of the Earth" is a legendary drum and bass track from 2008
by the incredibly talented Swindon-based hip hop and drum and bass/jungle 
producer known as DarkHalf (aka  Robert Winterflood).
The song features the vocals and poetry of Ithaka (or Ithaka Darin Pappas) from Los Angeles. Ithaka's song, Escape From The City of Angels (featuring Marta Dias) appeared in 
the feature film "Replacement Killers" directed by world-renowned filmmaker, Antoine Fuqua (Michael, Training Day).

"End of the Earth" is een legendarische drum and bass-track uit 2008 van de ongelooflijk getalenteerde hiphop- en drum and bass/jungle-producer DarkHalf (ook bekend als Robert Winterflood) uit Swindon. Het nummer bevat de zang en poëzie van Ithaka (of Ithaka Darin Pappas) uit Los Angeles. Ithaka's nummer "Escape From The City of Angels" (met Marta Dias) was te horen in de speelfilm "Replacement Killers", geregisseerd door de wereldberoemde filmmaker Antoine Fuqua (Michael, Training Day).


Producer: DarkHalf (aka Robert Winterflood)
https://soundcloud.com/Darkhalf

DarkHalf "End Of The Earth" ft. Ithaka (Beat Addiction Recordings)
https://www.youtube.com/watch?v=HgjLUZRQw-0




Lyricist-vocalist of "End of The Earth" Ithaka (Ithaka Darin Pappas) 

Tuesday, May 12, 2026

1990's Portuguese Rave Compilation










A New Compilation Series Recaptures the ’90s Heyday of Rave in Portugal By April Clare Welsh · June 27, 2019   In 1994, Portugal’s dance music scene was thriving. Urban clubs and bars were offering a vibrant mix of European trance, acid house, Detroit techno, and house music from New York and Chicago. Secret raves were starting to emerge throughout the nation. During the summer of that year, a significant event took place at a medieval castle in Santa Maria da Feira, featuring New York’s Danny Tenaglia and Dutch DJ Jaydee as the main performers. This event represented a crucial turning point in the evolution of Portuguese rave culture. Simultaneously, Portugal’s alternative, underground party scene was also flourishing. The notorious U.K. free party collective, Spiral Tribe, arrived in 1996 and established themselves at Fonte da Telha, close to Costa da Caparica. Together with four other soundsystem collectives—Total Resistance, APA, Kamikaze, and Furious—they organized a series of events in hidden venues across the country. “There were raves in castles, convents—stuff like that,” recalls João Ervedosa, also known as DJ Shcuro/José Acid, whose Lisbon label Paraíso draws inspiration from the sounds of that time. “Beyond the club scene, there was this significant trance movement. People were traveling to Portugal from all over the globe.” These years were also pivotal for recorded dance music. Kaos Records, the nation’s first electronic label established by Portuguese producers Rui da Silva and DJ Vibe alongside promoter António Cunha, released key records from The Ozone and Urban Dreams; the track “So Get Up” (a remix of the iconic 1992 downtempo track by Ithaka aka artist Ithaka Darin Pappas) made by the Underground Sound of Lisbon became a defining anthem, and New York icon Junior Vasquez was the first U.S. DJ to spin the single during his set at Sound Factory. (It was subsequently licensed to the label Tribal America, accompanied by remixes from Vasquez and Danny Tenaglia.) This moment signified the onset of a lasting partnership between New York house and Portuguese dance music.


Source: https://daily.bandcamp.com/features/rave-tuga-compilation-series

https://en.wikipedia.org/wiki/So_Get_Up