Wednesday, October 21, 2026

História da música electrónica em Portugal

https://comunidadeculturaearte.com/uma-pequena-historia-da-musica-electronica-de-danca-em-portugal-parte-ii/


Uma pequena história da música electrónica de dança em Portugal (parte II)

por Gabriel de Oliveira Feitor,    8 Junho, 2021

Artigo complet aqui:

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A partir de 1993, o som de Vibe alterou-se profundamente. Nos seus sets, é notória a transição das cenas techno e trancey para um house nova-iorquino mais garage e, particularmente, tribal, Manhattan style. Discos de editoras como a Nervous, Strictly Rhythm, Emotive, Eightball, Murk ou Tribal America começaram a rodar nos pratos do Kremlin e das festas onde Tó Pereira actuava, iniciando-se, assim, por muitos anos, uma tendência importante na música de dança portuguesa. Tó é o próprio a afirmar prontamente quando a entrevistadora da Red Bull lhe pergunta qual é o elemento crucial no som português: drums![43] De facto, a ligação de Vibe aos Estados Unidos é fundamental para se compreender como é que o house tribal americano se enraizou ao invés de outros estilos, como o techno da Europa central, contudo, não se deve descurar outras hipóteses, como o passado colonial português e as suas influências, dinâmicas e intercâmbios socioculturais na aceitação daquelas sonoridades, uma questão certamente a tratar noutra abordagem.

Seja como for, muito do que está nas faixas Get Up e Dance With Me dos Underground Sound Of Lisbon (USL) é resultado da noite de Tó Pereira no Sound Factory. O “espírito” da cena de Manhattan está inscrito no disco e não foi por acaso que Junior Vasquez colocou Get Up em sétimo lugar num top ten dos temas indispensáveis nos seus sets naquela discoteca, publicado pela revista iD, em 1994. Quando Tó Pereira regressou, já com mais disponibilidade após a saída dos LX-90, decidiu aceitar o desafio que Rui da Silva lhe vinha fazendo há meses para fazerem música. Ambos tinham nessa altura, em meados de 1993, discos a sair. Em Abril, foram editados os remixes (“Tó Club Mix”, “Dance Mix” e “Diz Pára Mix”) de Tó Pereira para Diz Quem Diz, dos Rádio Macau[44], e Rui da Silva, sob o pseudónimo Doctor J, estreou o catálogo da Kaos, em Agosto – a promo já circulava no ano anterior –, com o disco Não, um cruzamento experimental de house com samples do tema Não Sou o Único (1991), dos Resistência[45], o qual Tim, vocalista da banda, detestou.[46]

A dupla foi para o estúdio de Rui da Silva, na casa dos seus pais, em Queijas, e da maratona com um Atari Commodore, as TB, os sintetizadores e um sampler Akai S1000, de Tó, resultou os dois temas que compõem o segundo disco da Kaos, Chapter One: Dance With Me e Get Up. Nasce, assim, a dupla USL. A mistura das faixas foi feita no estúdio dos Delfins, Um Só Céu Studios, por Sinewave (Paula Margarida), então namorada de Rui da Silva e engenheira de som. Esse trabalho durou, segundo Rui da Silva, vinte e tal horas devido a um bug no software de produção (Cubase) relacionado com a sincronização quando se gravava em fita. Não é por acaso que em Get Up a secção rítmica, elaborada numa TR-808, entra por fade in.[47]

A letra e voz de Get Up é da autoria do californiano Ithaka Darin Pappas, identificado no disco como Korvorowng, que na altura se encontrava a viver em Lisboa e escrevia e vocalizava alguns poemas no programa “Quarto Bairro”, da Rádio Comercial. Tó Pereira passava música nesse programa e foi aí que travou conhecimento com Ithaka, convidando-o para fazer de MC nas festas da Kaos. Numa das festas em que Ithaka actuou, o seu improviso vocal no momento em que Tó tocara a versão instrumental da faixa que se viria a intitular Get Up – no DAT, o nome inicial, certamente provisório, era 303, devido ao baixo – convenceu, desde logo, os USL de que era aquilo que precisavam para fechar o disco. Ithaka entregou vários poemas a Rui da Silva, e Get Up, devido à sua abordagem “apocalíptica” – estava próximo o “derradeiro” ano 2000! –  foi o escolhido. Voltaram aos estúdios dos Delfins, desta vez para adaptar a letra e gravar a voz de Ithaka na faixa, no entanto, em Dezembro de 1992 o poema já havia sido gravado numa emissão do “Quarto Bairro” e tivera, em Março seguinte, uma versão electrónica feita por um estudante de engenharia de som de Manchester.[48]

Curiosamente, Get Up foi prensada no lado B – quando o disco saiu em Portugal apenas Luís Leite a tocava no Alcântara – enquanto Dance With Me granjeou o lado principal. Quanto a esta, uma faixa de crescendo hipnótico e bem demonstrativa da transição musical que se operava na cena electrónica portuguesa, entre as influências europeias e norte-americanas, tem a particularidade de juntar samples vocais tão distintos, desde Grace Jones (Slave To The Rhythm), passando por Age Of Love (The Age Of Love), até Moby (Go). Em suma, Chapter One fez pontuação dobrada: um excelente disco de prenuncio para a internacionalização. E, de facto, foi-o.

Antes de o disco sair, Tó Pereira enviou uma promo a um dos amigos que conheceu em Nova Iorque, um português que costumava passar música numas festas de emigrantes lusos. Numa noite, o português decidiu ir ao Sound Factory e entregou o disco a Junior Vasquez, o tal white label, identificado no sticker apenas com os contactos e o nome dos autores. Quando Paulo se dirigiu ao bengaleiro, Junior parou a música repentinamente e colocou a tocar Get Up. Foi a loucura espontânea do público quando se ouviram os primeiros versos do poema, tanto que Junior tocou a música um punhado de vezes na mesma noite: “The end of the earth is upon us/ Pretty soon it’ll all turn to dust/ So get up/ Forget the past/ Go outside and have a blast”.

A vantagem de ter o disco quase um ano sem que ninguém em Nova Iorque soubesse do que se tratava deu a Júnior a honrosa tarefa de criar o buzz à volta da faixa. Quando o disco saiu em Portugal, Tó Pereira, que, entretanto, mudara o nickname para DJ Vibe (graças a Ricky Morrison, que lhe havia dito no Kremlin: “you got the vibe man!”), enviou mais umas cópias ao amigo, o qual deu um exemplar ao DJ Casanova, residente da discoteca Palladium. A partir daqui, existem versões diferentes sobre o que aconteceu. Segundo Tó Pereira, assim que Junior soube que a sua secret weapon, afinal, já não era assim tão secreta, o DJ do Sound Factory fez chegar o contacto dos USL aos A&R de duas editoras nova-iorquinas, a Rob Di Stefano, da Tribal América, e a Kevin Williams, da Eightball Records, mas conforme as versões de Rui da Silva e Rob Di Stefano, para o primeiro, foi Junior quem pediu os contactos dos USL ao amigo emigrante de Tó Pereira e os deu aos A&R, e para o segundo, o contacto que Junior tinha era o do amigo, que posteriormente os fez chegar à dupla. No entanto, estas duas últimas versões coincidem no momento seguinte: os telefonemas foram atendidos por Rui da Silva na Bimotor, que por essa altura, em Abril de 1994, estava fora a organizar uma festa da Kaos, muito provavelmente a “Epicentro 94”, na Estação da Luz.[49]

Os USL receberam propostas das duas editoras, via fax, para a Kaos licenciar o disco. A escolha recaiu na Tribal América, cujo catálogo já gozava de considerável aceitação no circuito de DJs portugueses. Era, como Zé Pedro Moura afirma, malha atrás de malha: X e Get Your Hands Off My Man, de Junior Vasquez; Reach For Me, dos Funky Green Dogs; If You Really Love Someone, dos Liberty City; In The Presence Of Angels, dos Spiritual Experience; Y, dos Kiwi Dreams; High Frequency, dos Deep Dish; Are You Satisfied, dos Daou; entre outros. O som português encontrara um lugar para se lançar planetariamente pela mão dos embaixadores USL, mas, apesar de a proximidade do anunciado “fim do Mundo” em 2000, os DJs e produtores portugueses ainda tinham muito para fazer.




“A Paradise called Portugal”

Os USL fecharam o contracto com a Tribal na primavera de 1994. Uma das exigências impostas pela dupla portuguesa a Rob Di Stefano foi um remix de Junior Vasquez para a faixa Get Up, redenominada nessa edição So Get Up. Rob tentou demover os USL dessa ideia devido ao custo monetário, mas acabou por aceitar com a condição de um artista seu fazer uma remistura para o tema. O DJ e produtor que Rob se referia era o ainda desconhecido dos portugueses Danny Tenaglia. O lançamento foi agendado para o verão daquele ano numa edição duplo LP 12”, com os originais So Get Up e Dance With Me, a acapella, dois remixes de Vasquez (“Junior’s Factory Mix” e “Factory Dub”) e três remisturas de Tenaglia (“Danny’s “In The Light We Sleep” Mix”, “Get-Upella” e The “It’s 4 P.M. Danny, Get Up!” Dub”) de So Get Up.

Em Agosto, Rob e Danny fizeram uma tour de duas semanas pelo Reino Unido para promover um disco da editora. Aproveitando esse facto, Rui da Silva convidou-os a virem a Portugal para a grande festa que a Kaos estava a organizar para esse mês, no castelo de Santa Maria da Feira, a Feira Virtual. A equipa da Tribal estava muito cansada da digressão e com pouca vontade de continuar o périplo, mas acabou por vir a Portugal fazer mais uma data integrada na tour: “chegámos a Portugal, saímos do avião, pus os pés em Portugal e senti uma ligação automaticamente. Não queria acreditar. Tinha 27 anos e nunca tinha estado num país de língua estrangeira mas apaixonei-me assim que saí do avião”, afirma Rob Di Stefano.[50] A festa contou com os cabeças de cartaz Rob Di Stefano, Danny Tenaglia e Richard Breeden (manager da subsidiária Tribal United Kingdom) – que antes tocaram no Kremlin – e ainda o autor de Plastic Dreams, Jaydee, e o MC Man Parrish, a que se juntaram os portugueses Vibe, Doctor J, Luís Leite, Tó Ricciardi, Rui Vargas, Ruizinho, Belita e o live act da banda The Ozone.

Parece que Portugal havia encontrado o seu lugar no mundo. Os americanos e ingleses estavam fascinados com o país e tudo o que este tinha para oferecer (as praias, o sol, a gastronomia) combinado com o empolgante ambiente da emergente dance scene: as autoridades colaboravam na organização das festas, vendiam-se bebidas alcoólicas nas áreas de serviço das auto-estradas, era permitido beber a noite inteira e fumar em quase todos os locais, as drogas eram praticamente livres, enfim, o inverso daquilo que acontecia no Reino Unido. Gostaram tanto que Rob voltou, em Dezembro de 1994, para umas férias, em Fevereiro seguinte para uma festa de carnaval no Kremlin, com DJ Pierre, Richard Breeden e a cantora Joi Cardwell, e em Maio, para a Queima das Fitas em Coimbra, com Angel Moraes, Kiwi Dreams e MC Darrell Martin.[51] A curiosidade levou a equipa da novel revista Muzik, coordenada pelo jornalista britânico Ben Turner, a passar uns dias em Lisboa.  Foram ao Frágil, ao Kremlin, ao Alcântara-Mar e ao Climacz. A reacção foi tão positiva que mereceu a publicação de um artigo/guia no primeiro número que incentivava os jovens ingleses a passarem as duas semanas de férias de verão na “nova Ibiza”. Onde quer que se ia, o house sensual ao estilo de Penetrate Deeper dos Deep Dish girava nos pratos dos DJs. As lojas de discos, como a Discomundo, estavam repletas de importações norte-americanas e o merchandise – t-shirts e dog tags de editoras, como a Emotive, a Eightball ou a Tribal – era uma moda entre os assíduos da noite. A complementar o artigo foi elaborado um rol de informações sobre os restaurantes, bares, discotecas, DJs, lojas de discos, programas de rádio e até um preçário de drogas: ecstasy £20 na discoteca e £15 no bar; cocaína £40 por grama ou £30 se se tivesse algum connect; haxixe £4 por grama. Lisboa era, oficialmente, a “Tribal city” para onde Rob dizia constantemente que queria mudar de armas e bagagens. “A paradise called Portugal”, foi assim que Ben Turner concluiu para descrever o ambiente de então.[52]


Toda a dinâmica descrita pela Muzik não foi obra apenas da Kaos ou de DJ Vibe. Desde 1993, e isso ficou claro nos dois anos seguintes, que começou a surgir uma proto-indústria ligada à música de dança electrónica. Além dos espaços de divertimento nocturno, começaram a aparecer mais lojas de discos especializadas (a World Music, em Braga e no Porto; e a Question Of Time e a Discomundo, em Lisboa), produtoras de eventos (a Universal Produções, de Paulo Nery, em 1993, e o X-Club, em 1995), editoras (a Warning Inc., subsidiária da Simbiose, em 1993; a World Music Records, da mesma propriedade da loja de discos, também em 1993; a Question Of Time, igualmente da propriedade da loja, em 1995), produtores e DJs (The Ozone, OLN, Kult Of Krameria, Urban Dreams, A. Paul, Model 9000), discotecas (Kadoc, no Algarve; Pacha, em Ofir; Rocks, em Gaia; Enseada, na Póvoa de Varzim; ou o Vaticano, em Barcelos), espaços de conceito after hours (Radical Foz, no Porto; Climacz, em 1994, no Jardim Constantino; as festas do Teatro A Lanterna Mágica, organizadas pelo X-Club; e a discoteca Alcatraz, em Cantanhede, gerida, no início, pela Kaos, em 1997), programas de rádio (Dance Floor, com DJ Vibe, na Antena 3, a partir de 1994) e até imprensa especializada (Dance Club, da responsabilidade de Nuno Rodrigues, primeiro, em fanzine distribuída nas lojas, em 1994; depois, revista a cores, em 1996). É possível, aliás, mapear, entre 1993 e 1996, as dinâmicas que estão subjacentes já a grupos e sonoridades que se distinguem e estabelecem, inicialmente, uma competição saudável entre si. A Kaos, muito ligada ao som americano, com DJ Vibe, Doctor J, António Cunha ou Luís Leite, mas não só, tendo, no seu naipe de produção e festas, pessoas ligadas a sonoridades mais trance, como a banda The Ozone ou o produtor leiriense Urban Dreams AKA DJ Alex S; a Question Of Time, de João Daniel, com discos deste, de A. Paul e Model 9000, de influências europeias, mais techno e trancey, com ligações à editora inglesa Bush, cujo som se podia ouvir nos after hours do Climacz, bem underground, diga-se; e o X-Club, produtora de festas techno, com os DJs Mário Roque (mais tarde X-Man), Óscar Baía, Michael Ângelo e outros DJs que tocavam em festas das restantes produtoras, como Luís Leite, Jiggy, Luís XL Garcia ou A. Paul. 

Climacz, Jardim Constantino, Lisboa, 1994. DR.

É indiscutível, porém, o papel de So Get Up e a sua projecção lá fora, que ajudou definitivamente ao burburinho criado à volta de Portugal. A edição da Kaos alcançou o 1.º lugar da chart americana do DMC (Update USA Chart), um novo recorde nacional em vésperas da edição americana e inglesa da Tribal. E, em Inglaterra, alcançou o 5º lugar da Coldcut Chart, o 4.º lugar do DMC Update UK e os lugares 90.º e 83.º, respectivamente nas semanas de 10 e 17 de Setembro de 1994, do top 100 da chart oficial do Reino Unido.[53]

O passo seguinte seria o da internacionalização nas cabines, o que aconteceu em Março de 1995. A Tribal América, por ocasião da Winter Music Conference, organizou uma tour pelos EUA, com uma representação portuguesa composta por DJ Vibe e a sua mulher, Rui da Silva e a sua namorada, Sinewave, e dois elementos do grupo The Ozone. Voaram de Lisboa para Nova Iorque e aí alugaram um minibus para iniciar a digressão. Foram a Washington, onde os USL fizeram um disco com os Deep Dish, até hoje inédito, e seguiram para uma rave em Carolina do Norte, nowhere. Regressaram a Nova Iorque e, daí, voaram para Orlando, de onde partiram para Miami.[54] Mas os esforços de internacionalização não se ficaram por este episódio. Ainda no verão daquele ano, DJ Vibe tocou na Love Parade, em Berlim, e em 1996, na festa de lançamento de Get Fired Up, dos Funky Green Dogs, alcançara, finalmente, a cabine do Sound Factory.

Naqueles anos de 1994-96, o entusiasmo e as expectativas foram as mais altas. Isso é bem visível e audível nos quatro CD’s que DJ Vibe misturou: Total Kaos, de edição conjunta Kaos/Tribal, em 1995; Tottaly Mix, gravado no Kremlin e editado pela Kaos, posteriormente licenciado para a Tribal America e UK, também em 1995; This Is Tribal, um CD duplo de tributo a Rob Di Stefano aquando o anunciado fim da editora, com dois sets dedicados exclusivamente ao catálogo Tribal; e Magic Sessions, em 1997, com a chancela da Kaos, um rol de house entre o garage e o tribal norte-americano. A relação entre Portugal e a Tribal foi tão forte que Rob fundou uma subsidiária apenas destinada ao som português, a Tribal Portugal, em 1995, de existência efémera e com um catálogo de apenas três discos, todos eles editados primeiramente pela Kaos e licenciados à Tribal: Unreleased Project, de DJ Vibe; Don’t Wait For Me, de Tó Ricciardi; e Oporto Deep Cuts, dos OLN.

Outros produtores portugueses também começaram a ver o seu trabalho reconhecido lá fora. É o caso de João Daniel, que conseguira licenciar os primeiros discos da sua Question Of Time. O primeiro, em 1995, foi um máxi com as faixas The Way, da sua autoria, e Juice, de A. Paul, à conhecida editora italiana UMM – Underground Music Movement, à belga Yeti e à inglesa Bush – esta apenas com o seu tema; o segundo, … To Eden, em 1996, saiu pela editora alemã Urban com um remix de DJ Quicksilver e que alcançara o 1.º lugar duma chart espanhola.

https://www.youtube.com/watch?v=nsMRGfsQIL8



"The Portuguese Years" of artist Ithaka Darin Pappas (1992-1998)



Ithaka Darin Pappas is a Greek-American multidisciplinary artist born in Californian. His early years in Los Angeles included photographic work for the film and music industry of subjects including; Giancarlo Esposito, NWA, early sculpture exhibits of his thirty year project The Reincarnation of a Surfboard, early writing such as the short story Stellafly and minor minor acting jobs (including Levi's commercial with world renowned director David Fincher). Between 1990-1991, Ithaka Darin Pappas spent large amounts of time in both Athens and Tokyo, but a lengthier relocation to Lisbon, Portugal in July of 1992 (until September 1998) proved to be a catalyst for his creativity.


In Portugal, Ithaka Darin Pappas immediately began involving himself in photography and sculpture exhibits and continued with his poetry and short story writing. An on-air interview on Lisbon station Rádio Comercial regarding his audio-visual exhibit "As Aventuras do KorvoRão" led to a regular guest spot on the program Quatro Bairro (4º Bairro) at the invite of show producer Eduardo Guerra, who described Ithaka as having a, Valium Voice. Except for being the voice of a Texaco oil commercial in 1989, Ithaka had almost no previous experience on the microphone.